
|
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, contestou, classificando como insuficientes, as justificativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para os elevados spreads (diferença entre as taxas que os bancos captam e as que cobram do tomador do crédito) praticados no País. Os questionamentos foram feitos ao depoimento sobre o spread do economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, em audiência pública conjunta das comissões da Câmara dos Deputados de acompanhamento da crise na indústria, no comércio e na agricultura. A audiência, de que participaram, além da Febraban, seis dirigentes de bancos e de uma consultoria, foi sugerida por requerimentos de Monteiro Neto e de outros três deputados integrantes das comissões. Sardenberg disse que, na composição do spread, 40% se deve à inadimplência, quase 20% à tributação nas operações financeiras, 14% aos custos administrativos, 4% aos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos ao Banco Central. Enfatizou ser questionável a maioria das comparações feitas entre os spreads cobrados no Brasil e em outros países, por não levarem em consideração, segundo ele, características das diferentes economias. “Há falta de elementos fundamentais para análise completa da questão do spread”, dise Monteiro Neto, logo após o depoimento do economista-chefe da Febraban. Alinhou entre os componentes não mencionados na audiência pública e que, na sua opinião, influenciam a formação do spread, as receitas das tarifas bancárias - que, de acordo com o presidente da CNI, cobrem a folha de salário dos bancos -, a margem de lucro, a concentração bancária. O presidente da CNI destacou ser “estranho e inimaginável” o questionamento de Sardenberg às estatísticas comparativas entre os spreads brasileiros e os de outros países. O economista-chefe da Febraban comprometeu-se a lhe enviar os dados reclamados por ele. Neto enfatizou que a participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) é baixa no Brasil, em torno de 40%, ao contrário da maioria dos países, o que demonstra haver “um imenso espaço” para o crescimento dos empréstimos. “O sistema financeiro privado deve ter uma compreensão melhor do papel que tem a cumprir. O país precisa avançar na criação de um ambiente financeiro menos hostil, em que os bancos passem a ser verdadeiros parceiros da produção”, conclamou o presidente da CNI. Os outros participantes da audiência pública conjunta das três comissões da Câmara de acompanhamento da crise foram o diretor-executivo e o economista-chefe do Itaú Unibanco, Sérgio Werlang e Tomás Málaga, respectivamente; o diretor de crédito e o economista-chefe do Banco do Brasil, Walter Mallieni Júnior e Uilson Melo Araújo; o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica, Márcio Percival, e o economista da consultoria Integral Trust Roberto Troster. |