“No Brasil todos se consideram técnicos de futebol, mas o que precisamos é de peritos em despertar o nosso DNA agrícola, mas uma agricultura com tecnologia, com máquinas e implementos agrícolas capazes de aumentar cada vez mais a nossa produtividade..."
É a silenciosa. Aquela que acontece todos os dias, com as pequenas atitudes, com as pequenas mudanças em benefício da qualidade de vida não só do país, mas do planeta. E isso só se faz através de um processo de capacitação das pessoas. É pela educação que as verdadeiras revoluções acontecem.
Nesse sentido é que defendemos a ideia de um projeto de governo que coloque na grade curricular de ensino de todo o país uma disciplina denominada Técnicas Agrícolas.
Como se fala muito em inclusão digital, devemos falar também em inclusão agrícola. Um levantamento recente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) mostra que existem 142 milhões de hectares de áreas públicas sem destinação e outros 134 milhões particulares considerados improdutivos, enquanto o Brasil ainda convive com índices vergonhosos de pessoas que passam fome, com famílias do campo continuando a migrar para os grandes centros em busca de oportunidades.
Outro estudo, realizado pelo Departamento de Economia e Estatística da ABIMAQ, cruzando as informações do IBGE e do INEP/MEC, mostra que no ano de 2007 o governo gastou mais com o pagamento de juros em relação ao PIB, do que investiu em educação, realidade essa verificada desde 2000, quando a entidade cruzou as informações. Ou seja, há exatos sete anos (o último dado disponível é de 2007) que o governo destina mais dinheiro dos cofres públicos para pagamento de juros, do que para investimento em educação.
Não existe um único caso na história da humanidade, onde o investimento em educação não trouxe resultados animadores. Vejam o recente exemplo dado pela prefeitura de São Caetano do Sul, que foi a primeira cidade colocada no índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal. A cidade possui 145 mil habitantes que vivem em um espaço de 15 quilômetros quadrados, onde a mortalidade infantil é a mais baixa e o nível de escolaridade é o mais alto do Estado de São Paulo. De acordo com a prefeitura, a história começou há 60 anos, quando os governantes do município apostaram no ensino como carro-chefe da administração. Deu certo!
Devemos então elucidar todas as vantagens do investimento público em educação e, mais ainda, pleitear a inclusão das técnicas agrícolas no ensino básico.
É preciso, através da educação, colocar o Brasil nos trilhos, rumo a ser um país de primeiro mundo, restaurando o orgulho de ser brasileiro.
Precisamos deixar, de uma vez por todas, de ser o país das oportunidades perdidas e olhar para o futuro das nossas gerações, deixando um legado que crise alguma possa tirar, com educação, capacidade de transformar o homem e assim transformando o meio, lutando por melhores condições para todos.
E um país como o nosso, que possui uma enorme capacidade de produção de alimentos, poderá erradicar a fome do mundo, se soubermos disseminar as técnicas agrícolas com precisão, se agregarmos valor a essa produção. Além do que, fixaríamos o homem no campo e valorizaríamos a educação dos seus filhos.
Eu costumo contar o exemplo do filho do caseiro no interior, que abandonou os estudos porque repetiu em inglês e o pai não viu finalidade para o estudo do filho, enquanto que se ele estivesse estudando técnicas de manuseio do solo e melhorando a produtividade da pequena propriedade rural, com certeza o pai não o tiraria da escola.
Nos dias de hoje, a inclusão digital é importante, mas para o Brasil a inclusão agrícola é fundamental! Precisamos disseminar o conhecimento de técnicas agrícolas, que deve ter a mesma carga horária que matemática e português. Não adianta realizarmos uma reforma agrária se as pessoas que receberem a terra não souberem manuseá-la. No Brasil todos se consideram técnicos de futebol, mas o que precisamos é de peritos em despertar o nosso DNA agrícola, mas uma agricultura com tecnologia, com máquinas e implementos agrícolas capazes de aumentar cada vez mais a nossa produtividade e, com isso, também desenvolvermos cada vez mais a nossa agroindústria, pois é muito melhor sermos exportadores de produtos industrializados (pois esses agregam valor), do que simplesmente produtos “in-natura”.
Se o governo fizer um esforço de investimento em técnicas agrícolas acreditamos que, em duas gerações, poderemos mudar o país. Esse é o verdadeiro exercício da cidadania, com uma revolução na educação. Como disse esta semana o lendário investidor Jim Rogers, em entrevista à revista Veja: “A riqueza virá do campo”. Ele brincou dizendo que os produtos agrícolas vão dominar os mercados e sugeriu aos corretores das bolsas americanas que procurem emprego como operadores de tratores.
Vamos, então, capacitar a população brasileira. O projeto “Mais Alimentos” é uma excelente comprovação dessa teoria. E precisamos urgentemente dessa revolução silenciosa, sem armas, sem alardes, sem tumulto. Necessitamos de uma revolução com planejamento e direcionamento de recursos para o bem- comum, com educação, distribuição de riquezas e fixação do homem do campo no campo, gerando desenvolvimento para todas as regiões do País.
Vamos nos engajar nessa campanha?
*Originalmente publicado na revista Mecatrônica Atual Nº42