A necessidade industrial
Nem todos os equipamentos eletrônicos podem ser colocados em operação dentro de uma fábrica. Dependendo do tipo de produto que está sendo manufaturado, como também do local onde isto ocorre, podem exixtir diferenças de temperaturas muito grandes, bem como haver sofrer diversos tipos de interferência devido principalmente aos motores em movimento. Ter um computador ou um equipamento de monitoração que opere em tais condições, estando o mais próximo possível da linha de produção, sempre foi o sonho de muitos projetistas.
Colocar equipamentos que dependem de refrigeração para manter seu sistema funcionando nem sempre funciona da forma correta nestes locais, pois em muitos casos o ar que seria usado para esfriar os componentes já está a uma temperatura muito elevada.
Família Sitara
A Texas Instruments, procurando atender essa procura por processadores que trabalhem em ambientes industriais, desenvolveu a família Sitara de microprocessadores. Um dos pontos principais deste componente é a faixa de temperatura em que trabalha, que vai de -40 até 85/105 °C, dependendo do componente escolhido.
O core do Sitara é baseado no ARM Cortex-A8 de 500 MHz, atingindo 1000 Dhrystone MIPS, possibilitando assim rodar Linux e Windows CE.
Além do seu tamanho, o componente não precisa ser refrigerado, viabilizando assim a construção de um PC compacto em uma única placa. Além de eliminar a necessidade de ventilação, que consome energia para o funcionamento, o core precisa de apenas 1,2 V e os sinais de I/O 1,8 V (para DDR2) ou 3,3 V.
Entre outros recursos importantes que estão adicionados na nova família, estão o acesso externo à memórias do tipo DDR2 (com interfaceamento de 1 GB para espaço de endereçamento), NOR Flash, NAND flash, OneNAND e Asynch SRAM, um canal SDMA de 32 bits, uma porta de vídeo configurável, além de atender a diversos protocolos de comunicação serial, entre eles a Rede CAN e outros recursos que um processador pode oferecer.

No diagrama de blocos da
figura 1 é possível ver a estrutura do AM3517.
Tanto o AM3505 como o AM3517 são montados em sBGA de 491 pinos.
TMDXEVM3517
Este é o módulo de avaliação do Sitara AM3517, e conforme é possível observar na foto da
figura 2, ele possui um display LCD Touch Screen, podendo rodar com OMAP3517 Linux SDK, Kernel 2.6.31 U-boot, Windows® Embedded CE in 4Q09 e Multiple RTOS in 1Q10, tendo entradas/saídas EMAC, USB PHY, USB OTG & Host, CAN, SDIO I2C, JTAG, Keypad, SD/MMC (2), DVID/HDMI, Video input, Bluetooth e WLAN.
O preço desta placa comprada diretamente do fabricante, sem contar as taxas e impostos, é de mil dólares.
Conclusão
Atualmente, temos até a arquitetura ARM Cortex-A9 que possui de 1 a 4 cores (multicore) operando a 2,0 DMIPS/MHz cada Core, além de consumir menos que o Cortex-A8. Este tipo de arquitetura a Texas Instruments utiliza nos seus OMAP4430/40. Porém a arquitetura Cortex-A8 é adotada por diversos fabricantes, tais como Apple, Samsung, Ericsson entre outros. O motivo está na sua consolidação, e que o processo de fabricação de um microprocessador leva um certo tempo, desde o seu projeto até a sua distribuição.
Em breve teremos dispositivos móveis e computadores industriais empregando não só o Cortex-A9, mas outras tecnologias que tenham maior poder de processamento bem como um baixo consumo, além de sobreviver aos ambientes hostis que um “chão de fábrica” pode provocar.
*Originalmente publicado na revista Mecatrônica Atual Nº43