A Vingança dos Derrotados é o segundo filme da franquia Transformers, que leva para as telas mais uma vez os carros que se transformam em robôs que ficaram famosos no Brasil durante a década de 80 graças à linha de brinquedos e aos desenhos animados que passavam por aqui na época. Mesmo que o leitor não se lembre deles, quem se interessa por robôs e, principalmente, os que gostaram do primeiro filme devem conferir esse novo capítulo da saga dos Autobots e Decepticons.
A História
No primeiro longa a os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman criaram uma trama onde o vilão Megatron desejava exterminar a vida orgânica da Terra e criar um novo planeta Cybertron (o mundo de origem dos Transformers) com o auxílio de um cubo cósmico chamado por eles de All Spark, nesta nova aventura a dupla, com o apoio de Ehren Kruger, criou uma trama mais focada na ação e com um tom mais sombrio.
Aqui, vemos o garoto Sam (personagem de Shia Lebauf) indo para a faculdade e tenta conciliar seu namoro com Mikaela (vivida por Megan Fox) e precisando convencer Bumblebee, o robô que atua como seu guarda costas (e se disfarça como um Chevrolet Camaro Amarelo) de que ele não poderá acompanhá-lo, devendo permanecer escondido na garagem da casa dos seus pais.
No entanto, um estranho fragmento de metal encontrado pelo rapaz lhe transfere estranhos conhecimentos sobre a cultura dos robôs extraterrestres e acaba deflagrando mais uma guerra entre Autobots e Decepticons que acaba tomando proporçoes maiores do que se imaginava com a entrada do novo vilão Fallen (daí a razão do título original do filme: Transformers Revenge of The Fallen), cujas intençoes ainda são um mistério, mas es- pecula-se de que ele seria o primeiro Decepticon a existir e esteja na Terra desde a construção das pirâmides do Egito, que, por sinal, é onde acontece o clímax do filme.

A Produção
Com certeza, a maior parte do orçamento de 200 milhões de dólares irá para os efeitos especiais uma vez que o tempo de tela das cenas com os mesmos chega a mais ou menos 50 minutos. A responsável por essa parte do filme é a ILM Effects (empresa que pertence a George Lucas, o responsável pela saga Star Wars) que, além da computação gráfica, utilizou vários bonecos animatrônicos para dar veracidade às cenas, mesmo as que não foram feitas em estúdio, e uma réplica em tamanho natural de Bumblebee, com 5 metros de altura.
A computação gráfica é outro ponto a ser observado em relação ao filme anterior. Durante a pré-produção do primeiro longa, os técnicos chegaram a amarrar caixas de papelão e chapas de metal em lutadores de artes marciais para observar, por meio do processo de captura de movimentos, como seria o comportamento de robôs superágeis em movimento. Hoje, ao observarmos as fotos, trailers e comerciais de TV divulgadas pela Paramount, notamos que esse processo foi totalmente refinado e os robôs que eram mais “desengonçados” como, por exemplo, Ratchet (que se transforma em um jipe Hummer adaptado para resgates) e Iron Hide (a picape Top Kick da GM), assim como um modelo de carro que é renovado no ano seguinte, ganharam um design esguio, mais condizente com as proezas físicas que eles realizam. Agora outros, estão de volta totalmente reformulados, como acontece com o vilão Megatron, que deixou de ser uma aeronave para se transformar em um tanque.
Mesmo com o novo design dos velhos conhecidos, todas as atenções da equipe técnica parecem ter sido voltadas para os novos Transformers. Neste novo longa, veremos 18 novos robôs mais uma vez divididos entre os dois times, mas com a mesma desvantagem numérica para os Autobots. Somados com alguns dos personagens do último filme, serão 46 robôs ao todo. Agora, eles se transformam em máquinas diversas, não mais restritas a carros e veículos militares como no filme anterior e, principalmente, dos mais variados tamanhos, sendo que os robôs maiores como o Devastator são compostos por dezenas de milhões de polígonos.

Outra curiosidade interessante é que o diretor e os produtores optaram por fazer algumas tomadas do filme, mesmo aquelas nos quais todos os elementos são gerados por CG, com as câmeras IMAX, seguindo a tendência criada em 2008 pelo diretor Cristopher Nolan no filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”. O IMAX é uma tecnologia de filmagem que permite uma definição extremamente nítida em uma tela de projeção que pode chegar aos 30 metros de altura. As salas IMAX são bastante populares nos EUA e outros países e a primeira sala desse estilo inaugurada no Brasil está no Bourbon Shopping Pompéia.
Entretanto, as cenas em IMAX foram um desafio à parte para o pessoal da ILM, pois cada frame (ou quadro) filmado com a nova tecnologia leva 72 horas para “renderizar”, em programas especiais de computador, seis vezes o tempo de um frame que pertença a um filme normal. Aliás, se o leitor fosse renderizar o filme no seu computador de casa, por mais moderno que ele seja, deveria ter começado o trabalho 16.000 anos atrás para que ele estivesse pronto para ser lançado esta semana.
Mas, todo esse trabalho promete gerar um forte impacto visual aos telespectadores, uma vez que, segundo os produtores, o líder dos Autobots Optimus Prime poderá ser visto em tamanho natural nas telas IMAX durante as cenas de luta na floresta.
Até hoje, o conceito dos Transformers é imitado por muitas fabricantes de brinquedos, e, ainda que os modelos se pareçam bem pouco com os originais, é uma oportunidade para as novas gerações terem contato com os brinquedos que marcaram a infância de seus pais e irmãos mais velhos e, podemos afirmar, que foram os primeiros conceitos de robôs que eles viram na vida, em tempos onde ainda não existiam o Asimo (robô humanóide fabricado pela Honda), e os braços mecânicos da indústria automobilística estavam dando seus primeiros passos.
Transformers: A Vingança dos Derrotados chega às telas mundialmente em 24 de junho, mas o público brasileiro verá o filme antes. A película estreia aqui em 23 de junho.
Quem é quem em A Vingança dos Derrotados
Autobots
Optimus Prime: O nobre líder dos Autobots continua sendo um caminhão Mack, mesmo sob os protestos dos fãs (se transforma em uma Scania no original).
Bumblebee: O Camaro amarelo que é “guarda costas” de Sam.
Arcee: Robô de forma feminina – a única do filme – se transforma em uma moto Buell Firebolt XB12 R cor de rosa.
Ironhide: O peso-pesado dos Autobots na forma da picape Top Kick da GM está de volta.
Sideswipe: Um dos novos Autobots que se transforma no Corvette Concept prateado.
Skids e Mudflap: Os gêmeos simpáticos que se transformam nos carros Beat e Trax, respectivamente.
Ratchet: O oficial médico dos Autobots retorna ainda na forma de um Hammer de resgate verde-limão.
Jolt: Mais um novo soldado que toma a forma do carro híbrido Volt.
Jetfire: Um velho Decepticon (velho mesmo! Com bengala e tudo!) que muda de lado para ajudar os Autobots. Vive tranquilo dentro de um museu de aviação na forma de um SR -71 Blackbird.
Decepticons
Megatron: O líder dos impiedosos Decepticons aparentemente morreu no primeiro filme e teve seus pedaços jogados no mar, assim como todos os outros. Mas, agora na forma de um tanque, está de volta para infernizar novamente a vida de Sam e Mikaela.
Soundwave: Originalmente um rádiogravador gigante (!?) este Decepticon é um velho conhecido dos fãs dos desenhos e gibis dos robozões. Se transforma em uma espécie de nave com design semelhante ao de Megatron no primeiro Transformers.
Devastator: A combinação dos sete Decepticons Constructicons: Scavenger (escavadeira vermelha O&K/ Terex RH400); Hightower (guindaste Kobelco CK2500 amarelo); Long Haul (caminhão Caterpillar 773B verde); Mixmaster (caminhão betoneira da Mack - mesma fabricante da forma alternativa de Optimus Prime), Overload (ca- çamba articulada Komatsu HD465-7); Rampage (escavadeira frontal Caterpillar 992G amarela) e Scrapper (trator Caterpillar D9L amarelo). Além do tamanho e da força física, possui uma turbina dentro da boca capaz de sugar tudo ao seu redor.
Wheellie: Com a forma de um carrinho de brinquedo.
Scorponok: Mais um sobrevivente do primeiro filme.
Ravage: O bestial Ravage, tem um design que lembra um felino. Assim como Scorponok ele não se transforma, mas segundo Roberto Orci, terá outras funções ainda desconhecidas.
Starscream: Depois da sequência de créditos finais do primeiro filme, vemos a cena do robô que se disfarça de um F–22 Raptor fugindo para a órbita da Terra. Acontece que ele está de volta e tem seus próprios planos para os conhecimentos de Sam.
Demolisher: O Transformer que se equilibra em apenas uma roda e quase atropela Optimus Prime no final do trailer. Se transforma em uma Escavadeira Terex RH400.
Sideways: Aparece logo no começo do trailer fugindo dos militares na forma de um Audi R8.
Referências:
www.transformersmovie.com
www.omelete.com.br
www.michaelbay.com
No Mundo Real
Se existe algum tipo de vida em outros planetas e, principalmente, se eles são avançados organismos ciberéticos, nós ainda não sabemos. Mas, após assistir a um filme como Transformers, é inevitável nos perguntarmos quando poderemos ver os robôs se movimentando com aquela agilidade sem precisarmos ir ao cinema.
Para termos uma idéia do ponto no qual se encontra nossa tecnologia e o quanto teremos que caminhar para chegar próximo ao que vemos nas telas, conversamos com Rogério Rodrigues, que é Marketing Engineer da National Instruments do Brasil e colaborador da revista Mecatrônica Atual.
Mecatrônica Fácil: Como é trabalhar em uma empresa de tecnologia e ver a maneira que ela é retratada nos filmes? Já aconteceu de você ver alguma coisa na tela que faz parte do seu dia-a-dia?
Rogério Rodrigues: Eu gosto muito de filmes de ficção, mas devido ao fato de ser engenheiro e ainda trabalhar em uma empresa de tecnologia, acabo me tornando um pouco cético, é impossível ver uma teoria ou tecnologia futurística e não analisar sua viabilidade, como ela funcionaria, ou mesmo se eu seria capaz de construir alguma solução parecida com os conhecimentos e tecnologias que estão disponíveis. Aqui, na National Instruments, nós oferecemos hardware e software para os clientes desenvolverem as suas aplicações nos mais variados segmentos industriais, portanto é, muito comum ver o quão distante estamos das tecnologias supera- vançadas e quais são facilmente implementadas nos dias de hoje.
MF: Na sua opinião, por que os robôs de Transformers exercem um fascínio tão grande nas pessoas?
RR: Existem muitos fatores: além de ser um desenho dos anos 80 de enorme sucesso, os robôs são o sonho de consumo de todas as pessoas ligadas à tecnologia.
MF: No decorrer dos anos a área teve muitos avanços. Tem algum, ou alguns que você listaria como mais importantes?
RR: Penso que alavancar os avanços das tecnologias baseadas em PC como, por exemplo, os processadores multicore, que permitem processamento de supercomputadores com um consumo de energia relativamente baixo e espaço físico reduzido, são uma maneira de potencializar a capacidade de processamentos dos robôs.
MF: Qual será o próximo passo da robótica para você?
RR: Os estudos sobre Inteligência Artificial, não aquela que vemos nos filmes, mas a utilização de redes neurais, algoritmos genéticos, hardware evolucionário e como esses conceitos podem ser aplicados em pesquisa e desenvolvimento, dispositivos médicos, análise de sinais e automação industrial.
MF: Para qual tipo de serviço você gostaria que fosse desenvolvido um robô?
RR: Para todo tipo de trabalho repetitivo ou mesmo perigoso, além de robôs para procedimentos cirúrgicos devido a sua elevada precisão.
MF: A National tem algum produto específico nessa área que você acredita que um dia poderá revolucionar o futuro de alguma forma? Alguma aposta sua para mudar radicalmente a forma como vemos os robôs?
RR: A National Instruments através dos conceitos de Projeto Gráfico de Sistemas oferece uma plataforma para o desenvolvimento de aplicações, como por exemplo, robôs e sistemas de controle de movimento, onde o desenvolvedor é capaz de partir de uma ideia ou conceito, testá-lo, validá-lo e construir a implementação final, o que acelera o desenvolvimento de projetos complexos como é o caso de um robô. Outro exemplo é a plataforma Lego Mindstorms NXT™ que é uma plataforma para prototipagem e construção de robôs que utiliza uma linguagem de programação gráfica baseada no LabVIEW e voltada para estudantes, além de oferecer o próprio LabVIEW como linguagem de programação para essa plataforma que é amplamente utilizada no ensino e pesquisa de robótica.
MF: Quase tudo do que é visto no filme acontece em computação gráfica por não termos a tecnologia para aquilo ainda. Para você, o quanto longe nós estamos dos robôs se moverem com aquela destreza?
RR: Como na maioria dos filmes, a tecnologia apresentada ainda está distante daquela que está disponível comercialmente, mas se pegarmos o exemplo do filme Minority Report, poucos anos depois já é possível aplicar zoom em imagens do mesmo modo que no filme, utilizando telas sensíveis ao toque com tecnologia multi-touch. Mas é claro que ainda não somos capazes de criar uma máquina que previne crimes que ainda não aconteceram. Acredito que muitos dos próximos avanços na área de robótica terão sua tecnologia associada ao filme, seja por questões de marketing, ou porque é muito comum escritores e diretores de cinema pesquisarem tecnologias que estão na iminência de serem lançadas ou ainda estão em fase de pesquisa para apoiar as demais teorias futurísticas inerentes aos filmes de ficção.
MF: Se o seu carro em um dia qualquer se levantasse e conversasse com você, qual seria sua reação?
RR: Ficaria muito feliz em ter uma máquina para me guiar pelo trânsito caótico das grandes metrópoles, ou pelas inseguras estradas brasileiras.
*Originalmente na revista Mecatrônica Fácil Nº49  |