O mercado brasileiro de cerveja é o 4º maior mercado mundial, atrás da China (35 bilhões litros/ano), Estados Unidos (23,6 bilhões litros/ano) e Alemanha (10,7 bilhões litros/ano), com uma produção de 10,34 bilhões litros/ano em 2007. O consumo per capita ainda é baixo, por volta de 47,6 litros/ano, com potencial de crescimento se comparado com outros países: no México o consumo é de 50 litros/ano, nos Estados Unidos de 84 litros/ano e na República Tcheca atinge-se a incrível marca de 158 litros/ano. Além disto, existem outros fatores motivadores de consumo de cerveja como, por exemplo, o perfil predominantemente jovem da população brasileira e o clima tropical, na maior parte do país.
Devido ao potencial de consumo e a estabilização econômica, a indústria da cerveja experimentou um grande crescimento durante a década de 90, com pesado investimentos na abertura de novas fábricas e na modernização das já existentes, com o objetivo de aumentar a produtividade e a qualidade do produto, bem como, reduzir custos. Os sistemas de automação usados neste processo de modernização eram baseados no Controlador Lógico Programáve (CLP) e no Sistema de Supervisão (SS).
O CLP é um equipamento eletrônico composto, basicamente, de uma CPU, memória, módulos de entrada/ saída (I/O) e é programável através de uma linguagem específica. O SS é composto de um microcomputador, sistema operacional e software de supervisão e possibilita a interface do operador com o processo através de telas sinóticas animadas.
A fabricação de cerveja é tipicamente um processo em batelada (ou batch, para o termo em inglês) e é possível elaborar o controle de batelada dentro de um programa de CLP utilizando-se de suas ferramentas de programação. Porém, dois problemas ator- mentavam as cervejarias nestes primórdios de intensa automatização:
a) falta de padronização para elaborar o controle de batelada;
b) maior frequência no lançamento de novos produtos, devido a intensa competição do mercado de cerveja.
A falta de um padrão de metodologia de controle de batelada teve como consequência o surgimento de soluções proprietárias. Muitas vezes o Integrador de Sistemas elaborava um excelente programa de controle de batelada, porém, somente ele era capaz de prestar suporte técnico, pois a metodologia era de sua criação. O segundo problema decorre do primeiro: com a necessidade de novos produtos, o programa de controle de batelada precisava ser alterado e adaptado, pois, normalmente, o programa inicial previa somente uma única receita imútavel e, além disto, estas alterações ficavam na dependência exclusiva do Integrador de Sistemas.
Para contornar estes problemas, algumas cervejarias perceberam que deveriam definir um padrão corporativo, ou seja, a mesma metodologia proprietária desenvolvida e testada numa fábrica, já prevendo a necessidade de controle de várias receitas, deveria ser adotada como padrão e implantada em outras fábricas. Tendo-se um padrão corporativo, foi possível treinar o pessoal de manutenção das fábricas para prestar suporte técnico e implementar alterações no programa de controle de batelada.