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19/12/2008 06:32:57

Mercado de robôs caminha para o "gargalo"

O Brasil possui hoje 7 mil robôs instalados, há dez anos não passavam de 500

Sérgio Vieira

Considerado como ferramenta-símbolo quando se fala em automação industrial, o robô vive um drama para a disseminação de seu uso e operação no Brasil. Há um enorme interesse no seu emprego em processos industriais, entretanto, a falta de treinamento de usuários e conhecimentos de programação impede seu desenvolvimento no parque industrial brasileiro.

   

O “gargalo” vivido por essas máquinas acontece, principalmente, nas empresas de pequeno e médio porte. Nessa faixa industrial de empresas, o robô fica limitado a executar tarefas repetitivas, limitando-se à produção de um único produto. “Seria muito importante que os usuários usufruíssem ao máximo a capacidade dessas máquinas para a produção de diferentes produtos”, avalia Vitor Ferreira Romano, professor do Departamento de Engenharia Mecânica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Dados da Rede de Automação da Manufatura (Manet) estimam que 60% dos robôs instalados no Brasil estão executando serviços de solda e, mesmo assim, sem muita criatividade na exploração dos parâmetros da soldagem. Geralmente, essas máquinas caminham na aplicação soldagem/pintura, característica básica das multinacionais de veículos, as quais, respondem por 80% da base de robôs instalados.

“Poucos robôs são aplicados na montagem, inserção de chips e outras tarefas menos convencionais e que alavancariam a pequena e média empresa de base tecnológica”, comenta José Reinaldo Silva, professor do Departamento de Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Juntamente com o professor Vitor Romano e outros quinze pesquisadores de várias Universidades do país, ele coordena a Rede Manet.

Para resolver o problema de reprogramação de robôs, a terceirização tem sido apontada pelos pesquisadores como a alternativa mais econômica que as empresas estão encontrando para reprogramar robôs. Os raros profissionais existentes no mercado ficam encarregados de elaborar todo o planejamento e treinamento necessários para a aplicação pedida pelo cliente.   

Se o robô pode desenvolver outras funções dentro de uma empresa, qual seria o motivo então para a vulgarização do uso dessa máquina e o desinteresse em reprogramá-lo? Talvez a resposta esteja dentro da indústria automobilística que, como foi citado acima, concentra a maioria dessas máquinas.




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