Em boa parte das centenas de fábricas e indústrias brasileiras, a arquitetura de um processo de automação segue uma configuração básica: na base do sistema estão os dispositivos e sensores; em um nível acima estão o controlador lógico programável (CLP) e as IHMs (Interfaces Homem-Máquina); mais acima está o sistema supervisório e os sistemas de gestão. Durante um bom tempo, esse tem sido o esquema utilizado quando se pretende automatizar um processo industrial. Entretanto, novas filosofias de controle têm aparecido no ambiente industrial que mudam um pouco o aspecto dessa pirâmide.
Uma dessas filosofias é a distribuição do controle inteligente que dá mais autonomia aos dispositivos de campo e muda a configuração do esquema descrito acima. Essas plataformas são baseadas em PC e utilizam softwares modulares para gerenciamento de ativos integrados. Esse novo conceito apareceu de forma mais abrangente há dez anos, quando percebeu-se que o controle de uma planta industrial poderia ser feito por um PC, em vez de se utilizar um controlador específico.
"Ao invés de ter um CLP e um SDCD, você tem a distribuição do controle inteligente", diz Augusto Pereira, engenheiro da Emerson Process Management, uma das empresas que caminha nessa filosofia de controle e que já implantou vários sistemas no país. Vale lembrar que esse conceito caminha apenas em plantas de processo industrial (indústrias de açúcar e álcool, petroquímica, papel e celulose, química, petróleo, etc). A filosofia não é empregada em indústrias de manufatura (automobilística, eletrodomésticos, etc).
Apesar da distribuição do controle inteligente ser apoiada em PC, pelo que foi constatado pela Revista Mecatrônica Atual, o controlador lógico não deixa de existir. "Temos quatro salas de controle e 26 controladores", diz Diego Zucal, líder de automação da Planta Nordeste da Monsanto. De acordo com Zucal, a empresa distribuiu o controle com a idéia de levar a inteligência para o campo, porém, algoritmos mais avançados de controle continuam a ser desempenhados pelos controladores. "Para quem quer fazer alterações futuras fica complicado deixar de lado os cartões de entrada e saída e o módulo inteligente". A Planta Nordeste da Monsanto (Camaçari/BA) , que foi inaugurada em 2001, tem 8 mil pontos de controle.