Por um preço médio de R$ 70 mil, as indústrias no Brasil já podem instalar um robô de pequeno porte (3 kg) para realizar serviços como manipulação de peças (retirada ou colocação em uma prensa), solda por arco ou pintura. O preço, segundo especialistas, caiu 1/3 em dez anos, a cultura de uso e programação de robôs disseminou-se muito no país através de escolas como Senai e Cefet, mas o emprego, de fato, no chão de fábrica ainda é considerado tímido por empresas fabricantes.
Só para se ter uma idéia, enquanto o Brasil consome uma média de 350 robôs por ano, o Estados Unidos implanta anualmente em suas indústrias algo entre 9 mil e 10 mil peças. A maioria dos robôs comprados pelos brasileiros estão na categoria dos robôs considerados de pequeno porte (3 kg, 6 kg e 20 kg). Boa parte dessas compras, segundo fabricantes, estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste.
“Aos poucos as empresas vão quebrando o gelo e passam a se interessar mais por robôs”, comenta Ícaru Sakuyoshi, gerente de negócios de robótica da Yaskawa Elétrico do Brasil, uma das empresas que comercializam robôs no Brasil. Na sua opinião, eventos como feiras de negócios ajudam a desmistificar questões como funcionamento, preço e instalação. “Há dez anos, praticamente apenas a USP formava o pessoal em Robótica, hoje vemos várias escolas e Universidades formando pessoal”, avalia Sakuyoshi que trabalha com robótica há 11 anos.
Para aumentar a difusão dos vários pontos que compõem a área de robótica (instalação, disponibilidade de energia, unidades de potência, escolha de garras, lay-out do chão de fábrica, logística, testes, manutenção, etc.), a Yaskawa criou um curso interno para leigos e técnicos para o esclarecimento de dúvidas. O curso também é oferecido em empresas e instituições de ensino.
Segundo o gerente, ações como essa revelam dois tipos bem distintos de interessados em robôs: os que precisam de total apoio para automatizar uma ação dentro de seu chão de fábrica; e aqueles que já possuem um bom embasamento sobre o produto. Estes últimos, geralmente, entram em contato com fabricantes apenas para fazer cotação de preço, item que tem sido determinante para a escolha entre uma marca e outra, uma vez que a parte técnica tem se mostrado altamente competitiva.
Em países como Estados Unidos e Japão, além da área industrial, robôs de pequeno porte já são empregados também nas áreas médica, comercial e de entretenimento. No Japão já existem robôs que fazem fisioterapia e nos Estados Unidos robôs fazem acompanhamento de pacientes acamados.