Desde a década 80, um sistema de inspeção começou a ser implantado no Brasil com o objetivo de reduzir o índice de erros em linhas de produção seriada. É o chamado “Sistema de visão”, ou “Visão artificial”, ou ainda “Visão de Máquina”, o nome, como sempre, muda um pouco conforme a empresa fabricante ou aplicação da tecnologia. Entretanto, todos possuem algo em comum: a captura de uma imagem por uma câmera e interpretação dos dados por um controlador dedicado ou computador para que uma decisão seja tomada.
A partir desse conceito básico, os sistemas de visão vão agregando novas ferramentas e se transformam em complexas linhas de produção. Algumas possuem inclusive dispositivos pneumáticos para a rejeição de peças que estejam em desacordo com padrões de qualidade. Em geral são utilizados para detecção de contaminantes, diferença de cor, nível de líquidos, deformação e posição de peças, ausência de produtos, ausência de data e prazo de validade.
No Brasil o segmento farmacêutico é o que mais aplica esse tipo de tecnologia. O motivo está nas regulamentações impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a agência americana FDA (Food and Drug Administration) que fiscaliza não apenas comidas e remédios mas também equipamentos que possuem contato com os mesmos durante o processo de fabricação.
A indústria farmacêutica usa esse tipo de sistema para a inspeção de blisters (quantidade de comprimidos em cartelas), posição de rótulos, data de validade, nível de líquidos, fechamento de tampa, etc”, comenta Edicley Vander Machado, engenheiro de aplicações da Metaltex, uma das empresas que fornece sistemas de visão no mercado.
Edicley, que já trabalha há quatro anos nessa área e participou da instalação de quatro sistemas de visão na região de Goiás (pólo da indústria farmacêutica), disse que todas as grandes empresas dessa área já possuem esse tipo de tecnologia. “Percebemos agora que setores como o de auto-peças e de embalagem estão interessados”.
No Brasil os Sistemas de Visão também são muito empregados na montagem de placas eletrônicas. Porém, neste caso, os sistemas são instalados no país de origem dos fabricantes de insersoras de componentes. A sofistificação do sistema permite detectar erros em máquinas que podem chegar à uma velocidade média de 8 mil componentes por minuto.