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11/08/2008 07:43:14

O Linux na indústria

Ao contrário do ambiente doméstico, novas tecnologias na indústria precisam ser tratadas com cautela e passar pelo aval de técnicos ou engenheiros para que, devido às mudanças de ambiente, não se tornem perdas irreparáveis no meio industrial.

Sérgio Vieira

Diferente do ambiente doméstico, onde novas tecnologias são implantadas com muita facilidade, na indústria tudo que é novidade precisa passar por uma “prova de fogo” para receber o aval de técnicos ou engenheiros. Isso porque o ambiente encontrado entre máquinas e equipamentos é marcado pelas altas temperaturas, agressividade de material particulado, oleosidade, altas vibrações, entre outros problemas. Além disso, falhas simples ou tratadas sem nenhuma importância no ambiente doméstico podem significar perdas irreparáveis no ambiente industrial.

Por esse motivo, qualquer que seja a tecnologia de hardware ou software que tenha nascido fora da indústria é tratada com muita cautela para evitar “implantações aventureiras”. Se uma indústria tem, por exemplo, várias máquinas de controle de eixo e um engenheiro realizar uma “experiência” com uma delas, isso é um fato totalmente normal, mas, direcionar toda a produção para uma nova tecnologia onde não se tem controle total, é o mesmo que assinar um cheque em branco.

E é dessa forma que o Linux parece estar sendo tratado no ambiente industrial: como teste, ou nos casos mais ousados como monitoramento (atenção! “monitoramento” e não “controle”). Especialistas em automação acreditam que tanto o Linux como o próprio Windows ainda têm um longo caminho a percorrer para um dia chegarem ao controle do chão de fábrica de uma planta industrial.

“Muitas das aplicações que vendemos em Linux são voltadas para monitoramento e não para controle”, comenta Luís Eduardo Lemes Gomes, engenheiro e gerente comercial da Advantech. Segundo ele, embora o Linux tenha topologias semelhantes ao Unix, este segundo é muito mais “robusto” e encaixa-se perfeitamente à necessidade de várias indústrias.

Para realizar esta reportagem foram procurados alguns usuários, integradores e fornecedores de sistemas para tentar achar casos reais de aplicação de Linux no ambiente de chão de fábrica no Brasil. O mais próximo que conseguimos chegar foi através da empresa integradora Épica Automação que, devido à assinatura de contrato, não pode revelar o nome de clientes ou locais onde os projetos foram instalados, mas sabemos que se localizam em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


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