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Boa parte dos projetos eletrônicos são alimentados por pilhas e baterias que são fontes de corrente contínua ou seja, dispositivos que fornecem uma tensão constante que força a corrente em um único sentido. No entanto, existem casos em que precisamos ligar o aparelho na rede de energia que consiste numa fonte de corrente alternada. Como converter a corrente alternada em contínua para alimentar os circuitos que exigem esse tipo de corrente é o que veremos neste artigo

Os circuitos eletrônicos comuns, em sua maioria, exigem tensões contínuas para sua alimentação, podendo essas serem fornecidas por pilhas ou baterias.


Nos circuitos de corrente contínua, a corrente consiste num fluxo de elétrons que partem do polo negativo do gerador, passam pelo circuito (carga) e depois retornam ao gerador pelo seu polo positivo.

Essa corrente, se bem que possa variar de intensidade em função do consumo do circuito alimentado, nunca inverte seu sentido de circulação, por isso é denominada corrente contínua (CC) ou corrente direta se adotarmos o termo inglês cuja abreviação é DC.

A corrente contínua, conforme mostra a figura 1, pode então ser definida como aquela em que o sentido de circulação é único. Essa corrente será pura, se além disso sua intensidade não variar com o tempo, como ilustra o mesmo gráfico.




Por outro lado, existem geradores que podem estabelecer nos circuitos correntes que invertem constantemente de sentido de circulação, ou seja, que circulam ora num sentido, ora em outro, mudando rapidamente de polaridade.

Nesses geradores, o polo positivo aparece de um lado, uma fração de segundo, e depois passa para o outro, mantendo-se nele também por uma fração de segundo, e isso num processo constante de inversão, conforme exibe a figura 2.




A corrente nesses circuitos constitui-se, portanto, mais numa agitação dos elétrons que vão e vêm, do que propriamente num fluxo constante dessas cargas. Esse tipo de corrente é denominada corrente alternada (CA ou AC) sendo que os geradores que a produzem, são os alternadores.

É importante notar que os efeitos obtidos com a corrente alternada na transmissão de energia elétrica são os mesmos que os obtidos com sua transmissão em corrente contínua, veja a figura 3.



Entretanto, certas vantagens fazem com que a energia levada para nossas casas seja através de uma corrente alternada, o que quer dizer que é preciso tomar cuidado com sua utilização, pois os equipamentos que somente usam correntes contínuas, não podem ser ligados diretamente a uma tomada.

Caso desejar usar a corrente alternada disponível na rede de alimen- tação, será necessário transformá-la em corrente contínua. Os equipamentos eletrônicos projetados para serem ligados à tomada de energia precisam de circuitos especiais que exercem justamente essa função.


O processo de obtenção de uma corrente continua a partir de uma corrente alternada denomina-se retifica- ção, e os diodos semicondutores são os componentes mais empregados nesses circuitos, dada a propriedade que possuem de conduzir a corrente somente num sentido.

Um circuito retificador caracteriza-se, portanto, por possibilitar a obtenção de uma corrente contínua a partir de uma fonte de corrente alternada.

O retificador mais simples pode ser construído com um diodo semicondutor, conforme sugere a figura 4.



Se aplicarmos uma tensão alternada nesse diodo, apenas no momento em que a corrente for forçada no seu sentido direto de condução é que ela poderá circular, ficando entretanto bloqueada nos momentos em que o diodo ficar polarizado no sentido inverso.

Depois do diodo, obtemos apenas os semiciclos correspondentes à circulação da corrente num sentido. Dizemos que se trata de uma corrente contínua pulsante.


Em uma linguagem mais apropriada dizemos que a corrente alternada consiste em um sinal sinal senoidal em que temos semiciclos positivos e negativos. Conforme a posição no circuito, o diodo pode conduzir apenas os semiciclos positivos ou somente os semiciclos negativos, confira a figura 5.



Num caso a corrente contínua terá um sentido e no outro caso, sentido oposto. Dizemos que se trata de circuitos de retificação positiva ou retificação negativa.

Observe que no processo de retificação, a tensão aplicada ao diodo sofre grandes alterações, de modo que para obter-se uma tensão de 9 V de uma tensão alternada de 110 V ou 220 V, um processo simples de retificação não é suficiente.


Neste caso usamos um transformador, que é um dispositivo cujo princípio de funcionamento está na indução eletromagnética. Esse componente pode abaixar ou elevar uma tensão alternada, como a da rede de energia, levando-a ao valor necessário a uma aplicação. Na figura 6 vemos um transformador comum, encontrado em tipos de equipamentos eletrônicos.



Devemos ainda notar que a corrente contínua após a retificação não é pura, mas constituída por pulsos de corrente num único sentido, o que na maioria das aplicações não serve para se obter o funcionamento normal.

Para termos uma corrente contínua pura ou com um mínimo de ondulações, devemos empregar um sistema de filtragem que normalmente é constiutuído por capacitores e eventualmente alguns outros componentes adicionais.


A função do capacitor é funcionar como uma espécie de reservatório de energia de modo a suprir o circuito com corrente nos intervalos entre os pulsos de corrente fornecidos pelo retificador. São usados normalmente capacitores eletrolíticos de valores altos, com símbolo e aparências dados na figura 7.



Em diversas montagens podem ser usadas fontes simples utilizando apenas diodos retificadores ligados à rede de energia, mas nos casos mais elaborados temos diversos outros componentes que permitem proteger, regular e isolar a fonte.

Na montagem de fontes de alimentação, o leitor deve tomar cuidado com o manuseio dos componentes, principalmente o transformador, diodos e capacitores, pois são componentes polarizados.

Algumas recomendações iniciais serão dadas a seguir para aqueles que montarão sua primeira fonte de alimentação.


Transformadores

Os transformadores mais comuns, cujos símbolo e aspecto são apresentados na figura 8, são formados por dois enrolamentos denominados primário e secundário.



Na compra de um transformador devem ser especificadas a tensão do enrolamento primário que é a da sua rede de energia e a tensão do secundário, além da corrente má- xima que pode-se obter do enrolamento secundário.

Por exemplo, um transformador de 110 V x 6 V x 500 mA é um transformador feito para se ligar na rede de 110 V, e dele obtemos uma tensão de 6 V no secundário com uma corrente máxima de 500 mA.

Veja que em um projeto, sempre podemos usar um transformador que tenha uma corrente maior do que a especificada, mas nunca menor.

Para um transformador maior, o circuito alimentado drenará apenas a corrente que ele precisa e nada demais acontecerá.

Por outro lado, um transformador menor não consegue fornecer a corrente exigida podendo sofrer uma sobrecarga com excesso de aquecimento e queima.


Diodos

Os diodos são especificados em função de sua máxima tensão inversa e da corrente máxima que podem conduzir no sentido direto. Na construção de fontes, o principal cuidado que devemos ter é que a tensão máxima seja sempre pelo menos uns 80 % maior que a tensão do circuito.

Isso ocorre porque normalmente a tensão do circuito (alternada) é dada em valores rms (root mean squa- re) ou valor médio quadrático, o que significa que ela tem picos maiores, conforme ilustra a figura 9.



Assim, na rede de 110 V, por exemplo, os picos superam os 150 V. Um diodo que suporte apenas 120 V pode queimar-se nessa rede. O diodo usado deve ter uma tensão de pelo menos 200 V. Para a rede de 220 V é conveniente usar diodos que tenham tensões inversas de pelo menos 400 V.

A corrente do diodo, por outro lado, pode ser igual ou maior do que a exigida pelo circuito, dando-se uma margem de segurança, é claro, para que o diodo não trabalhe no limite.

Normalmente, nas listas de material dos projetos que usam fontes, as especificações dos diodos são dadas de modo que o leitor não precise se preocupar muito, a não ser que vá projetar sua própria fonte de alimentação.


Capacitores

Os capacitores eletrolíticos usados em filtragem, normalmente encontrados nas fontes comuns, são especificados pela sua capacitância e tensão de trabalho.

Geralmente, no setor de filtragem são exigidos capacitores de grandes capacitâncias, sendo típicos os valores entre 470 μF e 100 000 μF, dependendo da tensão e da corrente da fonte.

A tensão de trabalho do capacitor eletrolítico de uma fonte normalmente deve ser maior que a tensão de pico da tensão pulsante obtida depois do retificador, ou seja, a tensão de pico do secundário do transformador.

Essa tensão pode ser obtida multiplicando-se por 1,41 a tensão do secundário do transformador.

Por exemplo, um transformador de 6 V de secundário terá uma tensão de pico da ordem de 6 x 1,41 = 8,46 V depois do diodo, desprezando-se a queda de aproximadamente 0,6 V no diodo. Isso significa que um capacitor que seja usado na filtragem nesse ponto deve ter uma tensão de trabalho de pelo menos 10 V.

Observe ainda que essa será a tensão que estará presente na saída da fonte, quando ela não estiver alimentando nenhum circuito. No momento em que ela alimentar uma carga, sua tensão cairá.

Na utilização de um capacitor eletrolítico o leitor deve ainda observar cuidadosamente sua polaridade, pois se ele for invertido pode queimar-se, entranto em curto e causando danos ao diodo, transformador e até mesmo a outros componentes.

Conclusão
    
Fontes são fundamentais para o bom funcionamento dos circuitos eletrônicos. Neste artigo demos uma idéia de como elas funcionam, através de um processo de retificação e filtragem.

Se o leitor quiser se aprofundar em fontes recomendamos o livro “Fontes de Alimentação” de Newton C. Braga, que pode ser adquirido na Nova Saber.

*Originalmente na revista Mecatrônica Fácil - Nº47